MANIFESTAÇÕES: A FALÊNCIA DA ORDEM E PROGRESSO
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No confronto da força de vontade com a força bruta, ninguém ganhou a batalha.
A exemplo do que acontecia na maioria das grandes cidades do país, polícia e os manifestantes se enfrentaram por horas ontem no centro de Salvador.
E por mais que pareça que não houve nenhum resultado além de muita gente ferida e muito patrimônio (público e privado) depredado, a forma como tudo se configurou nos leva a chegar a algumas conclusões valiosas.
Se por um lado o movimento era desorganizado e bastante inconsistente em suas crenças, reclamações, motivações, se mostrando incapaz de ser vitorioso em aspectos que manifestações comuns geralmente são (chamar atenção para um fato, levantar pautas, exigir mudanças concretas e consegui-las pressionando o governo), por outro lado foi o perfeito demonstrativo de um fato óbvio: "De muito gorda, a porca já não anda". O populismo de dilma e lula não agrada, nem tampouco coronelismo do neto de antônio carlos magalhães.
A massa consistia em muito mais que os 20 mil ditos pela televisão, e se via e ouvia de tudo. Citações de pokémon, bandeiras da liberação da maconha, dezenas de cartazes contra os famigerados PEC e Ato Médico, comentários de gatos pingados "quero mesmo é que comece logo o quebra-quebra", adolescentes pintando a cara e tirando fotos pra jogar nas redes sociais. "Corrupção" e "educação" era uma rima que pedia pra ser usada.
Nada mais justo, num mundo pós moderno aprendendo a lidar com a descentralização causada pela internet, ter uma manifestação de caráter genérico. A mensagem não era de "20% de reajuste pra não sei o quê", ou "Abaixo a lei nove mil trezentos e não sei quanto", mas um claro e alto "Queremos mudança, e queremos AGORA!". Isso era unânime e nos deu forças até o fim. Forças que se fizeram necessárias.
A passeata alegre e pacífica, saindo do campo grande, se esbarrou perto da fonte nova com a barreira de policiais dispostas a manter a insatisfação bem longe de onde queríamos chegar: as câmeras internacionais do jogo da Nigéria x Uruguai, da copa das confederações.
As primeiras bombas de gás e balas de borracha eram respondidas com gritos de guerra entoando "sem vi-o-lêcia!".
As primeiras pedras, e paus, jogadas contra a polícia, eram respondidas pelo público geral com o mesmo grito, ou uma variação, "sem van-da-lis-mo!". Pena que pelos policiais as pedras foram respondidas na forma de mais bombas de gás e mais tiros.
Aonde eu estava, abaixo do Politeama, os manifestantes ficaram no vai-e-vem por horas, e gradualmente a insatisfação com a injustiça (afinal, o governo deve respeito a nós, ou à fifa?) foi insuflando nos manifestantes, ignorantes do seu real poder, o espírito da violência. Quanto mais atacavam, mais duramente a polícia respondia, e mais indignados ficavam.
Para quem subiu ao Campo Grande ajuntar-se à manifestação pacífica que ainda persistia por lá, o quebra-pau não demorou de chegar. A polícia, fazendo jus ao governo intolerante e ignorante que temos, empurrou os manifestantes pela Joana Angélica, Avenida Sete e Carlos Gomes, e também pelo Politeama acima, encurralando todos no Campo Grande com tiros e centenas de bombas de gás lacrimogênio (nada de "efeito moral", não sejamos hipócritas). Armas de fogo foram disparadas, não pela patrulha de choque, mas por outros membros da policia e do governo.
A multidão que chegou aos montes de volta ao Campo Grande consistia em manifestantes assustados e alguns muitos vândalos enfurecidos que destruíam bancos, semáforos, propagandas, vidraçarias de pontos de ônibus.
A polícia chegou no Campo Grande por todos os lados, destruindo também dali o caráter pacifista da manifestação.
Quem morava perto ouviu tiros e gritos até tarde. O canela chegou a ficar sem energia.
No fim, é claro que a mídia tratou de justificar a ação policial citando os casos de vandalismo e violência contra os policiais, mas o que me é claro, e acho forçoso que se divulgue essa ideia, é que as manifestações surgiram como uma necessidade de catarse da população, que mesmo que não tenha se decidido qual sua luta, e não tenha sabido usar direito do seu poder recém descoberto, agora teve a súbita certeza: "De muito usada, a faca já não corta". O sistema é falho, o dinheiro não traz felicidade, a única coisa que funciona no país é o lucro das grandes empresas, e os governantes são corruptos porque também são frutos de nossa sociedade corrompida. Se o lula e sua corja provaram-se apenas fortalecedores desse sistema, se o acm e seus comparsas amantes da ditadura militar já há muito tempo não são acreditados, resta apenas uma citação do clássico: "E agora, quem poderá nos ajudar?".
A exemplo do que acontecia na maioria das grandes cidades do país, polícia e os manifestantes se enfrentaram por horas ontem no centro de Salvador.
E por mais que pareça que não houve nenhum resultado além de muita gente ferida e muito patrimônio (público e privado) depredado, a forma como tudo se configurou nos leva a chegar a algumas conclusões valiosas.
Se por um lado o movimento era desorganizado e bastante inconsistente em suas crenças, reclamações, motivações, se mostrando incapaz de ser vitorioso em aspectos que manifestações comuns geralmente são (chamar atenção para um fato, levantar pautas, exigir mudanças concretas e consegui-las pressionando o governo), por outro lado foi o perfeito demonstrativo de um fato óbvio: "De muito gorda, a porca já não anda". O populismo de dilma e lula não agrada, nem tampouco coronelismo do neto de antônio carlos magalhães.
A massa consistia em muito mais que os 20 mil ditos pela televisão, e se via e ouvia de tudo. Citações de pokémon, bandeiras da liberação da maconha, dezenas de cartazes contra os famigerados PEC e Ato Médico, comentários de gatos pingados "quero mesmo é que comece logo o quebra-quebra", adolescentes pintando a cara e tirando fotos pra jogar nas redes sociais. "Corrupção" e "educação" era uma rima que pedia pra ser usada.
Nada mais justo, num mundo pós moderno aprendendo a lidar com a descentralização causada pela internet, ter uma manifestação de caráter genérico. A mensagem não era de "20% de reajuste pra não sei o quê", ou "Abaixo a lei nove mil trezentos e não sei quanto", mas um claro e alto "Queremos mudança, e queremos AGORA!". Isso era unânime e nos deu forças até o fim. Forças que se fizeram necessárias.
A passeata alegre e pacífica, saindo do campo grande, se esbarrou perto da fonte nova com a barreira de policiais dispostas a manter a insatisfação bem longe de onde queríamos chegar: as câmeras internacionais do jogo da Nigéria x Uruguai, da copa das confederações.
As primeiras bombas de gás e balas de borracha eram respondidas com gritos de guerra entoando "sem vi-o-lêcia!".
As primeiras pedras, e paus, jogadas contra a polícia, eram respondidas pelo público geral com o mesmo grito, ou uma variação, "sem van-da-lis-mo!". Pena que pelos policiais as pedras foram respondidas na forma de mais bombas de gás e mais tiros.
Aonde eu estava, abaixo do Politeama, os manifestantes ficaram no vai-e-vem por horas, e gradualmente a insatisfação com a injustiça (afinal, o governo deve respeito a nós, ou à fifa?) foi insuflando nos manifestantes, ignorantes do seu real poder, o espírito da violência. Quanto mais atacavam, mais duramente a polícia respondia, e mais indignados ficavam.
Para quem subiu ao Campo Grande ajuntar-se à manifestação pacífica que ainda persistia por lá, o quebra-pau não demorou de chegar. A polícia, fazendo jus ao governo intolerante e ignorante que temos, empurrou os manifestantes pela Joana Angélica, Avenida Sete e Carlos Gomes, e também pelo Politeama acima, encurralando todos no Campo Grande com tiros e centenas de bombas de gás lacrimogênio (nada de "efeito moral", não sejamos hipócritas). Armas de fogo foram disparadas, não pela patrulha de choque, mas por outros membros da policia e do governo.
A multidão que chegou aos montes de volta ao Campo Grande consistia em manifestantes assustados e alguns muitos vândalos enfurecidos que destruíam bancos, semáforos, propagandas, vidraçarias de pontos de ônibus.
A polícia chegou no Campo Grande por todos os lados, destruindo também dali o caráter pacifista da manifestação.
Quem morava perto ouviu tiros e gritos até tarde. O canela chegou a ficar sem energia.
No fim, é claro que a mídia tratou de justificar a ação policial citando os casos de vandalismo e violência contra os policiais, mas o que me é claro, e acho forçoso que se divulgue essa ideia, é que as manifestações surgiram como uma necessidade de catarse da população, que mesmo que não tenha se decidido qual sua luta, e não tenha sabido usar direito do seu poder recém descoberto, agora teve a súbita certeza: "De muito usada, a faca já não corta". O sistema é falho, o dinheiro não traz felicidade, a única coisa que funciona no país é o lucro das grandes empresas, e os governantes são corruptos porque também são frutos de nossa sociedade corrompida. Se o lula e sua corja provaram-se apenas fortalecedores desse sistema, se o acm e seus comparsas amantes da ditadura militar já há muito tempo não são acreditados, resta apenas uma citação do clássico: "E agora, quem poderá nos ajudar?".
Por Luciano J
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