http://hiperlinque.tumblr.com/post/14351410126/procrastinacao-jpg
Depois da sesta eu lavo os pratos. E empurrando com a barriga, a pilha aumentou. Os insetos agora reinavam e faziam sua própria civilização.
É claro que não só na cozinha, mas em todos os cômodos se via o acúmulo de informações subestimadas, atividades adiadas, lixo. No seu cabelo, animais mortos se alojavam e se reproduziam. Mas nada, nada se compara à revolução biológica que estava acontecendo na cozinha.
Certo dia, ele tenta entrar lá:
- Quem é você, e o que faz aqui? - disse o monstro.
- Sou vosso pai, sou o Deus que vos criou - respondeu, sagaz que era.
- Com que finalidade me criou, ó, Deus do lodo?
- Criei-vos não com alguma finalidade, porque as finalidades de nada adiantam, já o que realmente importa é o produto. Criei-vos e pronto, sois meu filho, minha criação, e deveis-me subserviência.
Das tubulações de esgoto ouvia-se o gorgolejar da lama fétida, fervendo como o sangue às veias de um ser humano qualquer. O monstro gargalhou sinceramente, e de sua boca caíam ao chão dezenas de baratas enormes.
- Bem vejo, Deus do lodo, que és um tolo! O Deus serve para reger o universo, comandar o que deve ser comandado, efetuar as regras, o Deus serve para servir ao universo, e dedica a sua existência a ele!
Os tentáculos do monstro envolveram o rapaz e começaram a puxá-lo. Seus braços fracotes e os esquilos mortos do seu cabelo tentavam impedir que ele fose deglutido, mas foi tudo em vão.
Absorvido pelo universo que ele mesmo criou, foi condenado a viver toda a eternidade com os monstros de lama cujas vidas, os sonhos, os desejos de sujeira que até então, ele não fazia noção de que tinham sequer surgido.
É claro que não só na cozinha, mas em todos os cômodos se via o acúmulo de informações subestimadas, atividades adiadas, lixo. No seu cabelo, animais mortos se alojavam e se reproduziam. Mas nada, nada se compara à revolução biológica que estava acontecendo na cozinha.
Certo dia, ele tenta entrar lá:
- Quem é você, e o que faz aqui? - disse o monstro.
- Sou vosso pai, sou o Deus que vos criou - respondeu, sagaz que era.
- Com que finalidade me criou, ó, Deus do lodo?
- Criei-vos não com alguma finalidade, porque as finalidades de nada adiantam, já o que realmente importa é o produto. Criei-vos e pronto, sois meu filho, minha criação, e deveis-me subserviência.
Das tubulações de esgoto ouvia-se o gorgolejar da lama fétida, fervendo como o sangue às veias de um ser humano qualquer. O monstro gargalhou sinceramente, e de sua boca caíam ao chão dezenas de baratas enormes.
- Bem vejo, Deus do lodo, que és um tolo! O Deus serve para reger o universo, comandar o que deve ser comandado, efetuar as regras, o Deus serve para servir ao universo, e dedica a sua existência a ele!
Os tentáculos do monstro envolveram o rapaz e começaram a puxá-lo. Seus braços fracotes e os esquilos mortos do seu cabelo tentavam impedir que ele fose deglutido, mas foi tudo em vão.
Absorvido pelo universo que ele mesmo criou, foi condenado a viver toda a eternidade com os monstros de lama cujas vidas, os sonhos, os desejos de sujeira que até então, ele não fazia noção de que tinham sequer surgido.
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